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JUROS ALTOS AMEAÇAM OS INVESTIMENTOS PRODUTIVOS

A ciranda financeira continua sendo uma das principais pragas no Brasil, condenando o desenvolvimento de atividades produtivas e fomentando acumulação de rendas originadas em especulação e aprofundando os fatores que levam o povão para a miserabilidade.

Não há quem resolvam investir dinheiro em qualquer empreendimento produtivo se a rentabilidade é extraordinariamente maior deixando o dinheiro engordando em aplicações. A taxa Selic batendo em indecentes 14,75% continua sendo utilizada para um controle de inflação em níveis fantasmagóricos para qualquer mortal que ainda pode ir a um supermercado e ir ao desespero com os preços dos produtos, com 1 kg de café de marca popular custando 6,6% do salário mínimo. Não há quem aguente!

O mercado olha com insuspeita desconfiança para um crescimento de 1,8% na formação bruta de capital fixo em investimentos nas contas nacional somada a dúvidas fortes se teremos investimentos mais caros, com retorno arriscadamente incertos dentro de uma economia que patina.

A própria Confederação Nacional da Indústria (CNI), através de seu diretor de economia, Mário Sérgio Telles, diagnostica que “o parque industrial precisa de investimentos para se modernizar e ficar mais produtivo e competitivo. Vimos muito isso acontecer no ano passado”. Objetivamente, aponta que “ a perspectiva de esfriamento da economia a necessidade de continuar aumentando a capacidade produtiva se reduz. Você tem uma perspectiva lá na frente de uma demanda menor”.

Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que o parque de máquinas e equipamentos vem num processo de enxugamento que reduziu seu tamanho em 14% nos últimos dez anos.

O último levantamento do Ipea revela que, apesar de os investimentos terem aumentado, a relação entre estoque de bens de capital e PIB tem forte trajetória de queda desde 2017. Caiu no ano passado ao menor valor da série estatística: 2,15 vezes o PIB. Isso significa que o volume de bens necessários à produção e distribuição de produtos e serviços do País não tem acompanhado o crescimento da economia.

Levantamento também da Fundação Getúlio Vargas demonstra uma queda de confiança na indústria de transformação em abril, determinando a diminuição das contratações e de investimentos.

O técnico do departamento de estudos e políticas macroeconômicas do Ipea, Marco Antônio Cavalcanti, lembra que “apesar de positivo nos últimos anos, o investimento líquido [superior à depreciação] ainda se encontra em patamar baixo relativamente ao nível do estoque de capital, não fornecendo estímulo suficiente para acelerar o crescimento potencial do País”. O economista diz ainda que “em conjunto com o problema estrutural de crescimento relativamente baixo da produtividade, o crescimento potencial tem provavelmente ficado em patamar relativamente baixo”.

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